Feministas francesas querem extinguir o uso, em formulários e cadastros, da distinção entre mademoiselle e madame. Elas alegam que tal prática, que não é obrigatória na França, seria uma invasão à vida pessoal da mulher, já que existiria uma diferença entre uma mulher casada e uma solteira, enquanto que para o homem não faz diferença ser casado ou solteiro. Tanto que em francês, assim como em português, não há uma palavra que distingua o homem casado do solteiro. Ele será sempre senhor, enquanto que a mulher só atingiria a "igualdade" casando-se e "se tornando" senhora (madame), que seria o equivalente do senhor.
Na França a distinção entre madame e mademoiselle é muito clara, uma "mademoiselle" só se torna "madame" casando-se. A diferença de tratamento não é definida por características e mudanças da mulher e sim pela união com um homem. Elas pedem o direito de serem chamadas de "madame" desde o nascimento, independentemente de seu estado civil.
Outros países, como Alemanha, Dinamarca e Portugal, já aboliram o uso administrativo de tal instituição.
Há ainda o fato de algumas instituições ainda exigirem o nome de solteira e o nome de casada. As feministas do grupo "osez le femminisme!" afirmam saber que esse é um ato simbólico, mas dizem que ele faz parte de um todo que se expressa de outras formas.
Outro problema apontado por elas é a distinção entre nome de solteira e nome de casada. Isso seria o resquício (linguístico) da época em que a mulher não tinha autonomia; quando ao casar, passava da autoridade do pai para à do marido. Elas pedem que não haja a distinção entre nome de casada ou de solteira, mas que seja declarado o "nom d'usage" (o nome usado). Assim se um conjuge decidir usar o nome do outro, esse seria seu nome (sem mais.)
Imagino que para algumas pessoas, eu ter escrito "um conjuge usando o nome de outro" sem especificar a mulher usando o nome do marido, soou estranho. Por que será?
Discussões desse tipo não são novidade na França. Há algum tempo um grupo de feministas tentou fazer mudança em certos pontos onde o masculino é gramaticalmente preponderante.
Ainda vou escrever sobre esse tema porque, apesar dessa manifestação ter acontecido há algum tempo, a discussão sobre o fator social na criação da linguagem é sempre interessante.
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