A história da "Vênus Negra", na verdade Saartjie, uma sul-africana obrigada a se exibir na Inglaterra como uma selvagem recém-capturada nas savanas africanas, é contada em forma de "rondó", ou seja, a cada momento de ação, intercala-se uma longa cena do "espetáculo" em que ela se apresenta, ora em uma feira de esquisitices, o que era o circo do séc. XIX, ora em cortes inglesas e francesas. Com isso, temos um esquema A/B/A/C/A/D,etc. sendo o A a cena descrita acima.
A história mostra Saartjie desde o momento em que ela já está na Inglaterra, portanto não podemos saber exatamente o que aconteceu em sua vida antes de ser levada para lá até o momento em que seu corpo é analisado pelos médicos da Academia Francesa de Medicina, passando pelo abandono quando, submetida a tantas baixezas para fazer seu "dono" (apesar de não ser oficialmente escrava) lucrar, não conseguiu suportar, o que a levou, automaticamente, à prostituição. Fica a dúvida se ela foi por livre e espontânea vontade, ou foi enganada.
Apesar de sua vida ser um retrato interessante e cruel sobre o papel dos negros e das mulheres na sociedade européia do século XIX e aos aviltantes tratamentos a que eram submetidos, o filme deixa a desejar. Na verdade, o filme cansa pela quantidade de cenas que retratam suas apresentações. São longos minutos em que a vemos ser "montada", apalpada, usada pela "platéia", repetidamente.
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