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Potiche

Potiche é um dos poucos filmes do Festival Varilux que entram em cartaz. Vale a pena assistir, ainda que seja, de certa forma, um filme de sábado a tarde. Catherine Deneuve interpreta uma dona de casa rica e mimada que não faz nada à não ser cuidar de si mesma. É até mesmo "proibida" de ter opinião própria pois o marido lhe diz que ela tem apenas que concordar com as dele, a tal ponto que sua família a considera uma incapaz. Uma verdadeira "potiche". Palavra título do filme que designa algo como um prêmio, algo inútil. Mais ou menos como a música da Rita Lee "como um troféu que você pôs na estante..."
As coisas começam a mudar quando há uma paralisação na fábrica de guarda-chuvas de seu marido, Robert Pujol (Fabrice Luchini); na verdade um "dote" pois a fábrica pertencera ao pai de Suzanne Pujol (Catherine Deneuve). Por causa da maneira autoritária com que o marido gerencia a fábrica, há revolta entre os empregados que, em certo momento raptam-no. Sem ninguém para assumir o comando da fábrica, pois os filhos, pelos mais diversos motivos, recusam fazê-lo, a "bomba" cai na mão de Suzanne. Mas ao contrário do que todos pensam, ela consegue administrar muito bem a fábrica, retomando a antiga política de seu pai, que via nos funcionários uma "grande família".
Com essa experiência Suzanne se liberta do mundo onde se julgava feliz e realizada, libertando também Nadège (Karin Viard), a secretária subordinada e submissa, que é amante do patrão e não tem consciência de si mesma como indivíduo. Também se julgava feliz e realizada. Será mesmo? Esposa e amante,ambas submissas a um homem autoritário, passam a se ver como seres capazes e atuantes.
De maneira muito bem-humorada o diretor François Ozon aborda o tema da submissão da mulher, e como consequência a sua libertação o papel que passa a ocupar no mundo.
Na verdade essa dualidade entre masculino e feminino na maneira de resolver problemas já é um tema um tanto desgastado, mas pelo filme ser uma comédia, esse detalhe pode ser deixado de lado pois não atrapalha.
A única coisa que me desagradou um pouco foi o fato de François Ozon ter introduzido uma canção final um tanto quanto fora de propósito. Seria um "revival" de "Oito mulheres"? Foi o que, sinceramente me pareceu.

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